Girau estreia Evoé, espetáculo das imagens musicais

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Foi o Girau quem escolheu o texto “As Bacantes” ou foi o próprio texto clássico de Eurípedes quem escolheu Girau? A pergunta veio de Cristiano Peixoto, diretor artístico do espetáculo músical Evoé, no programa de apresentação que recebemos na última sexta-feira, quando eu, Luiza e Paulo fomos conferir a estreia do grupo.

A pergunta tem cabimento pois a impressão que se dá, após já ter conferido show do Girau, é que não houve aqui uma adaptação a partir do texto das Bacantes. O grupo Girau se esforça numa alavanca de experimentação cênica e musical mas assegura sua identidade, levando-se a crer que, de fato, são as Bacantes que sofrem o ajustamento para o palco conduzido pelo Girau, com sua rica linguagem e fidelidade com a plateia, e não o contrário.

Entramos no palco do Spetáculo Casa das Artes pela primeira vez. Há de se destacar um pouco neste espaço a mania belorizontina pela construção de palácios e atmosferas de luxo e sofisticação que nada tem a ver com o bairro Santa Tereza, nem com Belo Horizonte, nem com as pessoas que habitam aquele espaço. Talvez nada tivesse a ver também com as Bacantes de Girau, ainda que os instrumentos e o cenário nos conduzisse a um espaço-tempo distinto das ruas lá fora. Mas a atmosfera proposta pelo Girau é rica de originalidade: materializa em cena elementos que me instigaram pela via do sensível e da intuição.

Música para ser vista. O slogan indica um pouco a trajetória que se espera do público. A partir da experimentação de técnicas criativas, simples, cheia de ritmos, o som estimula o surgimento variado de imagens que não estão no palco. Um casamento bastante próspero entre as linguagens artísticas. Merece palmas.

Texto “Girau estréia Evoé” por Clayton Nobre. Conteúdo produzido pela Cobertura Colaborativa organizada pela oficina de Midialivrismo do Festival Transborda.

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